Lollapalooza Shows


#Lollapalooza: os altos e baixos da primeira edição brasileira do festival

por Andreia Tavares e Sarah Lee

Foto geral do Lollapalooza Brasil 2012 ©Divulgação

Estreando no Brasil em 2012, o Lollapalooza, que aconteceu no Jockey Club, em São Paulo, nos dias 7 e 8 de abril, veio com a responsabilidade de fazer jus aos seus 20 anos de história como um dos principais festivais de música do mundo. Se, neste primeiro ano em terras brasileiras, o evento cumpriu essa expectativa? Em parte. Os dois dias de apresentações foram marcados por altos e baixos, tanto no que diz respeito à organização quanto à performance das 43 atrações que disputavam a atenção do público – literalmente. Com todos os shows seguindo rigorosamente o cronograma oficial – um dos pontos altos do evento –, era praticamente impossível assistir a um show inteiro no palco Cidade Jardim e chegar a tempo do início da primeira música no outro palco principal, o Butantã, que ficava no lado oposto do Jockey; por isso muita gente na plateia optava por abandonar as apresentações antes do final e já migrar para o outro lado.

A saga dos shows intercalados nos dois palcos principais foi especialmente difícil no primeiro dia, que recebeu cerca de 75 mil pessoas. As filas para tudo que ficava entre esses dois palcos (banheiro, bares e lanches) eram tão longas – um dos pontos baixos dessa edição – que era um desafio conseguir atravessar o campo gramado. Sem contar o momento após o último show da noite: com a falta de sinalização adequada que indicasse o caminho para a saída certa, houve tumulto quando o público foi impedido de passar pela saída de emergência (que eventualmente foi liberada). Essa questão foi amenizada no segundo dia, que, segundo a organização, recebeu 60 mil pessoas. Menos gente, menos fila, menos stress e menos problemas. Mesmo assim, a dificuldade para ir embora foi a mesma tanto no sábado quanto no domingo. Sem opções eficientes de transporte público, acabou criando-se uma dependência pelos táxis; mas não havia uma fila organizada para embarque, e o público (formado por 75% de pessoas de fora de São Paulo!) foi forçado a andar pelas ruas escuras em direção às avenidas próximas em busca de um táxi vazio.

Apesar de tudo isso, o saldo para quem foi ver suas bandas favoritas foi positivo. Salvo algumas exceções mornas, a primeira edição do Lollapalooza no Brasil teve um line-up de apresentações fortes, tanto dos headliners quanto de algumas “surpresas”. Confira abaixo o balanço de alguns dos principais shows do Lollapalooza Brasil 2012 (e cruze os dedos para uma edição 2013!):

Dia 1 (sábado, 7 de abril)

Cage the Elephant

Matt Schultz, do Cage the Elephant ©Juliana Knobel

Com um vocalista animado pela banda toda, o Cage the Elephant conquistou o público que torrava sob o sol das três da tarde de sábado. Matt Schultz se jogou nos braços dos fãs logo na segunda música do setlist e ainda fez graça quando conseguiu voltar ao palco: “Nunca fui tão violentado em toda a minha vida!”. Apesar do som baixo na parte de trás da plateia, as pessoas curtiram a apresentação e, em retorno, conquistaram a banda: “O Brasil acabou de virar o nosso novo país preferido”, afirmou Schultz antes de pular sobre os fãs novamente, pegar uma bandeira do país, voltar ao palco e ir embora correndo.

Band of Horses

Ben Bridwell, do Band of Horses ©Juliana Knobel

Também no palco Butantã, os americanos do Band of Horses fizeram uma apresentação impecável, com pouca performance, mas muita emoção. A banda interagiu pouco com o público, mas o vocalista Ben Bridwell parecia feliz com o feedback. Ao fim de um show afinadíssimo, ele agradeceu: “Obrigado novamente por nos receber no seu lindo país. Vocês são ótimos fãs de música, espero que nos recebam novamente”, e juntou os membros da banda para tirar uma foto com a plateia de fundo.

TV on the Radio

Tunde Adebimpe, do TV on the Radio ©Juliana Knobel

Ficou bastante claro durante o show do TV on the Radio que grande parte do público do primeiro dia de Lollapalooza estava lá para ver Foo Fighters – e só. Muita gente na apresentação do TV no palco Cidade Jardim estava guardando lugar para ver a banda do Dave Grohl e simplesmente ignorou a ótima performance do vocalista Tunde Adebimpe e seus companheiros – que ao fim do show ganharam até o reforço de Dave Navarro. Fora os focos de fãs que vibraram com a energia vinda do palco, o que se notou foi uma infeliz apatia generalizada. Uma pena, já que o TV está entre as bandas mais bacanas da atualidade.

Joan Jett and the Blackhearts

Joan Jett ©Juliana Knobel

“Oi Brasil! Tudo bem? Como vai? Não seja tímido!” – assim mesmo, em português, Joan Jett cumprimentou a plateia sedenta por hits como “Bad Reputation”, que abriu o setlist; “I Love Rock’n’Roll”; “Cherry Bomb” e “You Drive me Wild” (da fase com o The Runways). Do alto de seus 53 anos, com figurino vermelho colado ao corpo e muito delineador nos olhos, Joan Jett comandou o público mais animado até então, e se divertiu entre as músicas: “O amor entre duas pessoas é uma coisa linda… O amor entre três pessoas é ainda mais lindo – especialmente se uma dessas pessoas… Sou eu!”, ela disse em certo momento. Mesmo assim, na meia hora final da apresentação, a plateia debandou para o outro palco; a cantora até mandou um “Muito obrigada! Divirtam-se no Foo Fighters” ao fim do seu show.

Foo Fighters

Dave Grohl, do Foo Fighters, na passarela central do palco Cidade Jardim ©Reprodução

Dave Grohl tinha a plateia na palma da mão, e ele sabia. A banda abriu com uma sequência de seis hits entonados pelo público fiel, e ele ainda fez graça: “Oi, eu sou o Dave, nós somos o Foo Fighters. Prazer em conhece-los”. Ao fim de um total de 20 músicas de várias fases de sua carreira, o grupo deixou o palco antes do horário previsto – e começou a expectativa para o bis. Eis que, no telão, aparece a imagem de uma câmera noturna: é Dave, no backstage, que quer negociar com a plateia quantas músicas mais o Foo Fighters deve tocar. O baterista Taylor Hawkins aparece para ajudar na negociação, a favor do público – já que o vocalista faz um gesto indicando que está com dor de garganta. A banda retorna ao palco e, após três músicas, recebe uma convidada especial: Joan Jett (com novo figurino), que junto com o FF, toca “Bad Reputation” e “I Love Rock’n’Roll”. A cantora sai do palco, e Dave conversa com a plateia: “Desculpe que a gente demorou tanto pra vir pra cá. Quando a gente pode voltar? Em breve? Amanhã?” – a plateia grita que sim, ao que ele responde: “Amanhã a gente não pode”, e termina a noite com “Everlong”.

Assista abaixo à performance de “I Love Rock’n’Roll”, do Foo Fighters + Joan Jett:

Dia 2 (domingo, 8 de abril)

Gogol Bordello

Eugene Hütz, do Gogol Bordello ©Divulgação

Mesmo debaixo de sol fortíssimo, sem sombra à vista, o Gogol Bordello agitou o público com seu “gypsy punk”. “O valor espiritual da música independe do horário. Qualquer banda pode fazer um show pirotécnico à meia-noite – o show está feito. Tocar às 14h é que é um desafio”, o vocalista Eugene Hütz afirmou em coletiva de imprensa após a performance do grupo. E tocar às 14h foi um desafio que eles encararam com maestria: cheios de energia e com muita presença de palco – especialmente de Hütz –, os membros do Gogol transformaram o Lollapalooza, mesmo que por apenas uma hora, em uma grande festa.

Thievery Corporation

Thievery Corporation ©Juliana Knobel

A música do Thievery Corporation é deliciosa. Calminha, com arranjos instrumentais muito bacanas e com utilização de instrumentos pouco convencionais como a cítara, por exemplo, utilizada na segunda música do show, encabeçada por uma cantora brasileira. Os vocalistas vão trocando ao longo das músicas e cada um tem a sua pegada: funk, jazz, rap e hip hop jamaicano compõem a mistura de estilos musicais e de referências que dão dinamismo à atuação, embora não seja o bastante para encher e animar muito a audiência do palco Cidade Jardim. Thievery Corporation era a banda certa no lugar errado. Uma música gostosa de ouvir até debaixo de chuva, mas em um show mais privado e acolhedor.

Friendly Fires

Ed Macfarlane, vocalista do Friendly Fires ©Juliana Knobel

No palco Butantã, com pontualidade britânica, o show do Friendly Fires iniciou às 16h já com uma plateia fiel esperando sob o sol. Ed Macfarlane, vocalista da banda, fez a galera tirar o pé do chão dando ele mesmo o exemplo. Com uma animação contagiante, influências de samba, presentes no rebolado de Ed, o rock dançante que a banda apresenta juntamente com os batuques e os instrumentos de sopro transformaram o show em um dos mais performáticos do dia. Macfarlane estava com uma vontade visível de se aproximar da plateia que cantava animada os sucessos da banda e assim o fez, saltando para o meio das pessoas de microfone em punho. ”Kiss of Life”, o seu maior hit, fechou o show com chave de ouro.

MGMT

Andrew VanWyngarden, do MGMT ©Reprodução

A chuva caia forte e os trovões e raios, grandes animadores do show que iluminavam os céus de São Paulo de um lado ao outro, eram invariavelmente aplaudidos pelo público que se esquecia, ainda que momentaneamente, da banda que atuava. Uma mistura de sintetizadores com arranjos musicais muito bem executados e trabalhados dão a impressão a quem assiste de que a banda acaba por se concentrar mais em uma boa produção musical do que no show propriamente dito. Paralelamente a isso, o jeito blasé e de poucas palavras de Andrew VanWyngarden acaba não exigindo muito esforço da plateia. Tirando os sucessos em que todo o mundo canta junto, como os três hits da dupla, “Time to Pretend”, “Electric Feel” e “Kids”, as restantes músicas acabam ficando muito lentas e também um pouco monótonas em um show para quase 60 mil pessoas.

Foster the People

Mark Foster de polo Lacoste, que gerou o trocadilho com o nome da banda ©Juliana Knobel

Já chamada de “banda de menina”, os fãs incluem ambos os sexos. O Foster The People, que foi apelidado de “Lacoster The People”, graça feita à camiseta polo Lacoste que o vocalista Mark Foster usou no Lollapalooza, é uma banda completa: meninos bonitos, bem vestidos, com uma super presença de palco e uma noção musical muito boa. É quase proibido reunir todas estas caraterísticas em uma banda só, mas de alguma forma o Foster the People consegue. A animação da plateia, que cantava junto não só os hits da banda como também as outras músicas, surpreendeu até Mark Foster, que durante o hit “Pumped Up Kids”, que terminou em clima de balada com um remix dançante, desceu do palco até à grade para cumprimentar os seus fãs que gritavam, choraram e agarravam o cantor. Estava desta forma elevado o nível para as restantes atuações da noite.

Jane’s Addiction

A performance teatral de Perry Farrel ©Juliana Knobel

Foi um show para os verdadeiros fãs da banda. Mais vazio do que o comum para uma grupo tocando em horário “nobre”, quem aplaude são pessoas mais velhas que acompanham a banda provavelmente desde o lançamento do seu primeiro álbum em 1988. Perry Farrell, o vocalista de Jane’s Addiction e que também é o idealizador do Lollapalooza, faz uma introdução poética a cada início de música e deixa a plateia vibrando por saber o que vem a seguir. A frase “Tonight I wanna get twisted” (Esta noite quero ficar virado do avesso), por exemplo, introduziu a música “Twisted Tales”. A chuva, que começou a cair com mais força, e o horário do show do headliner do dia, que se aproximava, arrastaram a plateia para fora do teatral show do Jane’s Addiction, que deu a sensação de ter terminado antes do tempo. Uma apresentação datada, de certa forma, e que deve ter agradado em cheio mesmo somente seus fãs mais fieis.

Arctic Monkeys

O carismático Alex Turner, do Arctic Monkeys ©Juliana Knobel

Com muitos “obrigados” entre as músicas, fica sempre a sensação que somos nós que temos que agradecer a Alex Turner e a sua banda pelos seus shows. De cinco anos para cá, tempo da sua última apresentação no Brasil, os Arctic Monkeys cresceram, amadureceram e seguraram o último show do último dia de Lollapalooza com a maestria que um headliner deve ter. De casaco de couro, Alex vinha preparado para fazer um grande show e não desapontou. Banda digna de ser vista ao vivo, os hits “Teddy Picker” e a antiguinha sucesso de internet  “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, arrancam emoção e lágrimas de uma plateia heterogênea, animada e muito dançante. Agradou e levantou o público, que foi embora para casa com boas lembranças deste show.

Veja mais fotos do Lollapalooza Brasil 2012:

lollapalooza 2012 wander wildner 1

©Juliana Knobel

Wander Wildner

Fonte deste texto: http://ffw.com.br/noticias/cultura-pop/lollapalooza-os-altos-e-baixos-da-primeira-edicao-brasileira-do-festival/

Anúncios

Um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s