Resenha: Sónar São Paulo 2012


O Sónar aconteceu nos dias 11 e 12 de maio de 2012, teve transmissão ao vivo de alguns shows pelo canal oficial no youtube do festival e trouxe para nosso país um certo destaque para o cenário da música avançada.

Veja a seguir alguns destaques do festival que separamos para apresentar para você nosso leitor.

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Chromeo

Tocaram no primeiro dia (11) do festival. Chromeo é um duo canadense de electro-funk formado em 2004 pelos amigos de infância P-Thugg (teclados, sintetizadores, voz e talk box) e Dave 1 (guitarra e vocais principais). Muito mais perfomático do qualquer outro show do Sónar São Paulo 2012, Chromeo trás a galera com eles.

A música é preponderantemente tocada com instrumentos musicais ao vivo, tais quais: guitarra, baixo, teclados (com pernas femininas coladas para chamar atenção), bateria, voz sintetizada sem sintetizador (usa-se um caninho com gás colado no microfone), outros instrumentos de percussão. Tudo isso para além de um som eletrônico previamente preparado de alta qualidade e muuuito dançante.

Carisma, energia, sorrisos é com essa dupla mesmo. Chromeo era o show mais esperado e provaram que fazem jus a isso.

James Holden

Tocando no segundo dia (12), ele é um DJ e produtor inglês de música eletrônica que iniciou sua carreira em 1999, aos 19 anos, com uma série de lançamentos ligados à cena trance. O que acabou não durando muito. Tempo depois, Holden fundou o Border Community, selo que lançou artistas como Nathan Fake e Luke Abbot e que possui o seguinte slogan: “Dissolvendo as fronteiras entre a pista de dança e o quarto desde 2003”. De certa forma, cançado do comercialismo exagerado do trance e do estágio atual do techno, James Holden vem propondo alternativas através de uma produção mais vanguardista com elementos de IDM, ambient, música psicodélica e krautrock.

Seu primeiro álbum (The Idiots Are Winning, 2006) foi bastante elogiado pelo jornal inglês Guardian. Com remixes para Madonna, Britney Spears, Depeche Mode, New Order, entre outros, além de uma série de álbuns mixados, Luke Abbot é certamente um dos grandes nomes da música eletrônica mundial.

Sua aparição no Sónar São Paulo 2012 se deve justamente as experimentações e misturas inusitadas que ele constrói em suas músicas mas sem deixar o ritmo dançante parar, porém em termos de recursos a mais, além da mesa de som, James fica devendo, apesar das imagens que aparecem no telão impressionarem, seu jogo de luz é simples como nunca casa de música eletrônica, e ele em momento algum interage ou se esforça para captar o público, que permanece dançando suas músicas como se ele nem existisse ali o palco.

James Blake

Blake também tocou no segundo dia (12) e fez uma apresentação fantastica, a música era quase que completamente executada ao vivo, em instrumentos musicais adaptados às novas tecnologias, só por isso já teria sido um grande diferencial, em um festival de música eletrônica. Mas havia mais…

O show começou com músicas mais suaves, e uma iluminação azul, quem não conhece o trabalho destes músicos poderia pensar: “que coisa fria e insosa” mesmo percebendo o talento musical demonstrado desde o primeiro minuto no palco.

Logo passou-se a iluminação para cores mais vibrantes, e com 10 minutos de apresentação as músicas acompanhavam o vermelho da luz, tudo ficava mais intenso.

Chegando aos 20 minutos, a guitarra fica mais suave, a luz volta ao azul, e a música pendendo para o acústico faz o clima passar para um tom mais intimista e diria até romantico. Mas aos exatos 20 minutos o público vibra ao ouvir as notas iniciais de uma das músicas mais aguardadas da apresentação, a luz fica roxa, a psicodelia lentamente se intensifica, o público dança e é um dos momentos mais célebres do show que ovaciona o trio de músicos ao final da música lá pelos 25 minutos de show.

O show perfeito para quem gosta de deixar a música causar sensações pelo corpo e imaginação enquanto a mente viaja levada pela melodia destonante.

The Twelves

Apresentando-se no primeiro dia do Sónar (11) se utilizou de uma técnica de iluminação fraca e azulada durante a apresentação como se a música viesse direto de dentro de uma escura caverna de gelo das regiões mais remotas da Terra.

O sintetizador de voz também é bastante utilizado pela dupla, assim como na apresentação do James Blake, porém o foco aqui é outro, apesar de preservar certa psicodelia, a música avançada destes tem uma batida que se flerta com houses mais dançantes, e por isso você pode ver o público presente dançando o tempo todo durante o show.

Aos 5 minutos de apresentação que parecia que seria bem lenta, a luz apaga e volta junto com o som e a batida da música deslancha e os sucessos da banda começam a tocar em sequencia, o som empolga e o povo não para de dançar.

Twelves não é para quem apenas curte música eletrônica, há muita experimentação nos sons que vão migrando paulatinamente de uma tentativa de inovação para outra seguindo uma corrente que só acaba com o fim da apresentação. E sim eles tem tocado nas principais baladas do mundo, pois aliada a criatividade para inovar nas músicas, eles tem muito feeling para engatar um trecho ao outro.

Não é um som que meramente te faz dançar, você pode até demorar pra pegar o ritmo, mas o som vai te fazer passear por muitas batidas diferentes durante toda a apresentação enquanto não te irrita os ouvidos, mas pelo contrário pretende te divertir em meio à uma atmosfera de tranquilidade.

Justice

Tocou no dia 12 e foi considerado o grande destaque deste segundo dia de festival, Músicas fortes e pesadas, ótimo uso de efeitos de luz que colocavam em destaque o tempo todo uma cruz saindo de dentro da aparelhagem da mesa de som, fizeram poucas pausas para o público parar de dançar.

Infelizmente não há vídeo oficial desta apresentação no canal do youtube do festival, mas escolhemos algumas fotos da internet para ter idéia do que essa dupla de franceses aprontou.

Mogwai

Ainda no dia 12, outro bom destaque do festival foi Mogwai, que segundo o portal IG “… num festival dominado por sons eletrônicos e batidas dançantes, o grupo lotou o espaço com seu rock instrumental e guitarras ensurdecedoras. O público gostou tanto que, mesmo após o tempo limite de uma hora de apresentação ter acabado, a banda continuou tocando.”

Modeselektor

Tocou no primeiro dia do festival (11) e neste foi considerado o grande festival. Destaque tão grande que na enquete promovida pela página do facebook oficial do Sónar São Paulo 2012 ele está até o momento deste post como a melhor atração de todo o festival disparadamente.

Formado pelos alemães Gernot Bronsert e Sebastian Szary, o Modeselektor ocupa um lugar único no cenário da música eletrônica internacional: é simplesmente impossível rótular sua sonoridade. A cada ano que passa, a cada remix, ou a cada disco lançado, o Modeselektor segue surpreendendo público e crítica com sua mistura de electro, hip-hop, techno, glitch e IDM.

Temos algumas imagens deste show, que também não foi liberado até o momento no canal do youtube do festival sónar.

Kraftwerk

Em atividade desde 1970, o Kraftwerk, famoso no mundo inteiro por conta de suas performances audiovisuais, formado por Ralf Hütter e Florian Schneider na cidade de Dusseldorf, na Alemanha, em cerca de 5 anos o grupo já havia alcançado amplo reconhecimento internacional. Suas revolucionárias “pinturas sonoras”, sua experimentação musical com sintetizadores, composições com rítmos robóticos, técnicas avançadas de loop e os temas que anteciparam o impacto da tecnologia na arte e no cotidiano, influenciaram os mais variados artistas, nomes como Afrika Bambaataa, Devo, Depeche Mode, FatboySlim, Chemical Brothers, Jay-Z e LCD Soundsystem – só para ficar entre aqueles que já samplearam o Kraftwerk em suas músicas.

O cancelamento do show que Björk faria nesta sexta, 11, na primeira noite do festival Sónar, fez, ao contrário do que se esperaria, a alegria de muita gente. A atração escolhida para substituir a cantora não poderia ser mais emblemática para um festival que é conhecido como “de vanguarda”: o Kraftwerk, afinal, é pioneiro indiscutível da música eletrônica como a conhecemos hoje. Nesta quarta passagem pelo Brasil, eles ainda vieram com uma proposta a mais – o alardeado show 3D.

Diferente de 2009, quando a banda apenas abriu para o Radiohead, agora eles foram atração principal de todo o festival, e no horário marcado para seu show, todos estavam de frente para o palco com os óculos 3D distribuidos na entrada do festival aguardando a banda que se atrasou meia hora.

O setlist da banda é impressionante, em seus 40 anos de formação, quase todas as suas músicas tem mais de 20 anos, e incrivelmente ainda são muito atuais, é como se eles tivessem previsto tudo o que iria acontecer na música pop nesse quase meio século. Quem ficou até o final, depois de Hütter conceder um raro “Boa noite” (em inglês e alemão) ovacionou o quarteto.

Criolo

Criolo é figura influente no hip hop há mais 20 anos, quando ainda assinava como Criolo Doido. O fundador da Rinha dos MC’s, espaço que abriga batalhas de freestyle, shows semanais e exposições. [veja mais sobre criolo clicando aqui]

Ao escalar Criolo e Kraftwerk para praticamente o mesmo horário na na sexta-feira, 11, o Sónar acabou prejudicando o brasileiro. E ainda assim o músico atraiu seu público que começou pequeno e comedido e até o fim do show havia uma pista lotada, certamente foram 60 minutos mágicos. “É uma honra para mim”, agradeceu o músico, lembrando as apresentações simultâneas. Reserva-se aqui, grandes méritos para os acompanhamentos do músico, montada e comandada por Daniel Ganjaman, certamente um dos melhores em atividade no Brasil.

Também houve espaço para protesto (mas de forma leve, não impositiva): o telão mostrou a frase “Veta, Dilma” – referência à alteração do Código Florestal aprovado no Congresso Nacional que pode ser barrada pela presidente – por algum tempo e, antes de “Lion Man”, o músico discursou: “Milhões de pessoas ainda morrem de fome no meu país. É importante dizer isso porque este é um evento internacional, para o mundo inteiro”.

Reactable with special guest Gui Boratto

Reactable é um novo instrumeto eletrônico com um desenho simples e intuitivo, que permite aos músicos realizar experimentações sonoras, mudar a estrutura, controlar seus parâmetros e serem criativos de uma forma direta e sem precedentes graças a uma interface tátil com a qual o músico controla o sistema manipulando objetos tangíveis. O instrumento, usado por Bjork na apresetação de sua turnê “Volta”, e que foi adaptado recentemente aos tablets e telefones celulares tanto em IOS como em Androids com o nome de Reactable Móbile, será apresentado no Sónar SP para demonstrar ao público presente suas infinitas possibilidades.

Outros

Houveram muitos outros Djs se apresentando nos palcos do festival Sónar São Paulo 2012, e muitas novidades tecnológicas no SónarPró. Veja o set list completo clicando aqui.

O importante é que o festival veio de fora, deu espaço para os artistas nacionais, nos trouxe o que há de mais avançado na música eletrônica no cenário mundial, e  divertiu muita gente dando um verdadeiro show de organização.

Esperamos o Sónar outras vezes aqui em terras brasileiras.

Clique nas fotos abaixo para ampliar:

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