Psicologia: Bullying


Definido como um comportamento agressivo seja ele: físico, verbal, moral ou psicológico, de forma repetitiva sem motivação aparente de uma ou várias pessoas em idade estudantil contra um outro numa relação desigual de poder, na tentativa de subjugar e dominar aquele que não é capaz de se defender. No inglês a palavra significa: ameaçar, intimidar e dominar.

Problema que atinge escolas do mundo inteiro, grandes e pequenas, ricos e pobres, de grandes cidades a zona rural, tradicionais ou modernas, inclusive as de orientação religiosa.

Vítimas de bullying podem sofrer muito mais do que se pensa, das faltas constantes a fobia escolar, desinteresse pelos estudos a reprovação, mudanças sucessivas de escolas ao abandono escolar. Além das dificuldades de relacionamento social, problemas de autoestima, insegurança, medo, ansiedade, níveis de estresse altíssimo, insônia e quadros depressivos que chegam a alguns casos culminar em suicídio ou deixar marcas emocionais difíceis ou às vezes impossíveis de serem superadas.

No Brasil 1 em cada 3 estudantes estão diretamente envolvidos com o bullying. O local onde mais ocorrem é a própria escola ou perto dela. Que envolvem atitudes violentas de bater, chutar, empurrar, derrubar, ferir e perseguir. Verbalizações de ameaças, xingamentos, intimidações e gritos. Psicologicamente os ataques visam humilhar, desqualificar, amedrontar, aterrorizar com apelidos, ofensas, discriminações, gozações, na tentativa de destruir a autoestima e excluir sociamente. Insinuações, assédios, intimidações e tentativas de abuso de caráter sexual também podem fazer parte do quadro.

Esses comportamentos podem acontecer de forma direta ou de forma indireta, velada como, por exemplo, quando histórias são inventadas com a intenção de difamar e espalhar fofocas. Já virou epidemia a versão cyberbullying, onde fora da escola, a internet é usada de modo covarde e traiçoeiro postando boatos, fotos e vídeos para denegrir a imagem da vítima. Infelizmente meio cada vez mais usado por crianças pequenas e por meninas.

Quem testemunha esses atos se cala com medo de ser a próxima vítima. Por sua vez a própria vítima não denuncia aos professores e familiares com medo que de os ataques se tornem piores.

O agressor se destaca como líder e bem relacionado socialmente, considerado popular e extrovertido acredita que nunca será punido, caracterizando em alguns casos o Transtorno Desafiador de Oposição ou o Transtorno de Conduta. Transtornos antecedentes muitas vezes de um sociopata e de um psicopata.

Filhos de pais agressivos, hostis, pouco afetuosos, num ambiente familiar com ausência de diálogo tem mais chance de desenvolver condutas agressivas. Falta de limites, permissividade e dificuldades de impor regras e disciplina levam os filhos a se tornarem desobedientes.

Estudantes agressivos apresentam mais chances de fazer uso abusivo de álcool e drogas, atitudes delinquentes como furtos, atos de vandalismo, enfim envolvimentos com crimes e problemas com a justiça. Envolvem-se mais com brigas corporais e posse de armas.

Casos noticiados de jovens que invadem escolas para matar colegas e depois se suicidar, demonstra o motivo de tanta preocupação hoje em dia em identificar os possíveis bullies e em detectar os comportamentos das possíveis vítimas como ter poucos amigos, pertences roubados, machucados, roupas e material riscado ou rasgado, exclusão dos esportes e das brincadeiras, queda de rendimento escolar, sempre triste, infeliz e desmotivado na escola, ansioso e inseguro na sala de aula, reclama de dores, enjôos ou indisposição antes de ir para a escola, além de outros.

Existem muitas atividades que as escolas podem realizar para evitar o bullying, e todas sempre surtem mais efeitos se a escola coloca os alunos junto no processo, dialogando com eles e não impondo. Os pais também podem conversar sobre o assunto com o filho, abrindo espaço para que ele tenha confiança de contar o que acontece na escola, conversem sempre sobre como se proteger na internet e em caso de suspeitas monitore o computador e verifique os sites que ele costuma entrar.

Seja do lado do agressor ou da vítima procure a escola para ajudar além de profissionais que podem estar ajudando a diagnosticar uma disfunção familiar ou um distúrbio psicológico, assim como para treinar os envolvidos com estratégias comportamentais mais assertivas que melhorem seu repertorio social.

O que a Bíblia diz sobre o assunto:

A maldade humana não é um fenômeno atual, em Gn 6.5 Deus já via que os pensamentos do homem eram continuamente maus. Porém em Rm 12.2 nos pede para não nos conformarmos com este mundo, mas transformá-lo pela compreensão da vontade de Deus para a humanidade. E seu desejo é que toda a amargura, ira, cólera, blasfêmia e toda a malícia devem ser tiradas do nosso meio, sua vontade é que sejamos bons e misericordiosos uns com os outros (Ef. 4.31-32).

O primeiro passo para que uma pessoa mude de atitude é ela se conscientizar de que está errada e ficar arrependida (Atos 8.22). Alguém precisa falar o que está errado para que alguém perceba e abandone suas atitudes erradas (Jó 36.10). Mostrar que quem semeia perversidade colherá coisas ruins e que uma boa educação pode evitar que isso aconteça (Pv 22.8). A estúltice está ligada ao coração da criança, mas a disciplina a corrige de seus erros (Pv 22.15). Somos nós os adultos que temos a responsabilidade de educarmos a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele (Pv 22.6). Pais que amam seus filhos o disciplinam desde cedo porque o amam (Pv. 13.24), mesmo quando mais velhos precisam de disciplina, de um jeito diferente, mas ainda necessitam.

Pois se até Deus nos repreende porque nos ama e nos quer bem (Pv 3.12), e não nos quer ver metidos em dificuldades na vida. Devemos seguir seu exemplo de disciplina, sendo suaves e mansos (Mt 11.29-30). Não esquecendo nunca do amor que precisa ser demonstrado e ensinado tanto para os agressores como para as vítimas de bullying que também precisam aprender a perdoar seus agressores assim como Cristo fez conosco (Cl 3.13), para que possam seguir suas vidas sem dificuldades emocionais que impeçam sua caminhada.

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Francis Lessnau Coutinho é psicóloga atua na clínica com Formação em Psicoterapia Cognitiva Comportamental, pós-graduada em Neuropsicologia, mestranda em Avaliação e Reabilitação Neuropsicológica pela UFPR, atualmente é professora do Instituto Teológico Quadrangular nas disciplinas de Antropologia Aplicada e Orientação Pastoral. (Dados extraídos do livro “Manual antibullying” do Dr. Gustavo Teixeira)

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