A arte digital no século XXI


Arte digital num mundo de rápidas transformações tecnológicas

Desde o final do século XX, o termo new media vai ser aplicado para descrever uma produção variada de arte digital, de instalações interativas, música, arte de rede ou software. Ao mesmo tempo, defendeu-se a natureza híbrida dos media ao se preferir a denominação arte digital para abrigar este contingente da produção artística. Já no inicio do século XXI, esta denominação vai ser fortalecida em fóruns de discussões e encontros
internacionais da área e, no Brasil, identificar a própria representação do setor de Arte Digital, segmento criado em 2002, junto ao Conselho Nacional de Política de Cultura, órgão consultor do Ministério da Cultura para as políticas públicas de cultura.

A princípio, a diferenciação almejada pelo setor entre a área da arte digital e as linguagens
tradicionais das artes visuais funcionou como uma estratégia para garantir independência e, inclusive, destacar a efetiva aproximação com os avanços da comunicação, da informática, das inovações tecnológicas, com a cultura digital e a produção contemporânea de arte nos circuitos internacionais.

Contudo, propugnar uma produção da arte digital não significou perder qualidade, público ou mercado, mas intuir mudanças nos modos de produção, reprodução e distribuição da arte.

Ao longo da história, a arte ofereceu argumentos para a sua própria transformação, inclusive encontrados no interior do sistema da arte, já que rupturas surgiram pela posição relativa dos artistas no campo. A arte digital se integra às condições históricas, da arte e da tecnologia, potencializa e sugere quebras de paradigmas, do objeto ao processo, da autoria para co-autoria, da interação até diferentes manifestações da informação. Além disso, se ampliou a circulação na medida em que vai ser produzida e experimentada nas redes de base infotecnológicas com uso de computador, celular ou PDA (Personal Digital Assistant).No entanto, experimenta-se um campo da arte que depende do capital cognitivo, informático e tecnológico, dos mecanismos de acesso e de senhas, entre tantos dispositivos que controlam os trânsitos na web. Situações que implicam em hierarquia, já que o simples uso da internet não pressupõe democracia.

Neste caso, estar na própria rede significa atuar com forças em rede num contexto instituído de política e de conflitos globais, uma condição de enfrentamento entre humanos e não humanos, demonstração de forças que se equilibram numa intensa disputa pelo controle de poder na rede. Em síntese, o capital continuará a responder pela produção, distribuição e pelo consumo da arte contemporânea e, em combinação com a excessiva velocidade das tecnologias, exercerá um papel renovado no sistema de arte digital.

Reprodução de: Revista Curitiba Apresenta – Fund. Cultural de Curitiba
Autora: DENISE BANDEIRA – Artista, pesquisadora, professora titular da Faculdade de Artes do Paraná. Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUCSP. Representante da Região Sul e membro do Colegiado de Artes Visuais, gestão 2010-2012, junto ao CNPC – MinC.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s