Missão de paz no Haiti acabará em 2017


No dia 13 de abril de 2017, uma quinta-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSONU) decidiu pela extinção da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti ou MINUSTAH (sigla derivada do francês: Mission des Nations Unies pour la Stabilisation en Haïti) que será reduzida até seu fim em outubro de 2017. Isso não significa que a Organização das Nações Unidas (ONU) deixarão de apoiar o Haiti que passou por tantas dificuldades nos últimos anos. 1

1. Missões da ONU no Haiti

ONU tem realizado missões sucessivas no Haiti desde 1993 (UNMIH de 1993 a 1996; UNSMIH de 1996 a 1997; UNTMIH em 1997; e MIPONUH de 1997 a 2000), quando o Golpe Militar foi deposto e o presidente eleito retornou ao poder, onde ficou até 1996, sendo substituído por René Préval que dando continuidade democrática, convocou novas eleições, vencidas pelo antecessor Jean-Bertrand Aristide (o mesmo que havia sido deposto pelos militares), em eleições nas quais menos de 10% da população votou, tendo sido empossado em 2001. 2

– Guerra civil do Haiti

Isso que não evitou que eclodisse no país uma violenta guerra civil em 2004, depois de 3 difíceis anos nos quais tentou governar Jean-Bertrand Aristide, que renunciou e se asilou na Republica Centro Africana. Oposicionistas partiram para tomada armada das cidades instalando o caos no país. Então a ONU decidiu em 30 de abril de 2004, por meio da resolução 1542, iniciar a missão de paz MINUSTAH.

– Objetivos da MINUSTAH

  1. Estabilizar o país;
  2. Pacificar e desarmar grupos guerrilheiros e rebeldes;
  3. Promover eleições livres e informadas;
  4. Fornecer alimentos para os haitianos;
  5. Formar o desenvolvimento institucional e econômico do Haiti.

– Tropas da missão de paz

Inicialmente as tropas eram formadas por 9.400 homens, dos quais 1.200 brasileiros, outros participantes são da Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Croácia, Equador, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, França, Guatemala, Iêmen, Jordânia, Malásia, Marrocos, Nepal, Paraguai, Peru, Sri Lanka e Uruguai. 3

Com o maior contingente de tropas coube ao Brasil comandar as forças de paz com 11 generais em sequência, começando pelo General de Divisão Augusto Heleno Ribeiro Pereira4

Ao longo dos 13 anos de missão, 37.500 militares brasileiros serviram no Haiti, que foi o mais ambicioso projeto militar brasileiro desde a entrada na Segunda Guerra Mundial em 1942. Serviu entre outros objetivos, para preparar em situação real nossos militares e testar equipamentos. 5

2. Sucesso da missão

Concluiu-se que a missão em suas diversas fases foi um sucesso, primeiramente no combate as forças paramilitares que tomaram as cidades, depois nas batalhas de guerrilhas, também no combate ao crime organizado, nas ações humanitárias de assistência continuada com água, remédios e mantimentos, especialmente após o terremoto de magnitude 7,0 na escala Richter que atingiu o país no dia 12 de janeiro de 2010, e por fim no policiamento e proteção dos prédios e locações públicas, que possibilitou o Haiti se estabilizar politicamente e passar a tomar conta de si.

3. Imigração do Haiti

No período mais agudo da crise no Haiti milhares de haitianos deixaram o país de todas as formas que eram possíveis. Muitos deles escolheram vir para o Brasil, onde as dificuldades não acabaram dada a precariedade da recepção por um país que não tinha imaginado que esse seria uma decorrência natural de sua influência na missão de paz. 6

4. Nova missão da ONU

A próxima missão no Haiti será a Missão das Nações Unidas para o Apoio à Justiça no Haiti (MiNUSJustH) que contará com sete unidades de polícia, com 980 funcionários, e 295 oficiais individuais de diversas nacionalidades focados em dar treinamento para a polícia local.

[ ] Mídias

◊ Apontamentos:


  1. ONU Brasil. Conselho de Segurança aprova fim da missão da ONU no Haiti. Publicado em 13 de abril de 2017, no URL: <https://nacoesunidas.org/conselho-de-seguranca-aprova-fim-da-missao-da-onu-no-haiti/
  2. BBC News. Aristide vence eleições no Haiti. Publicado em 30 de novembro de 2000, no URL: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2000/001130_haiti.shtml
  3. Folha Online. Minustah tenta controlar situação no Haiti com 9.400 homens. Publicado em 03 de fevereiro de 2006 – 18h34, no URL: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u92212.shtml
  4. Wikipedia. Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti. Consultado em 29 de junho de 2017, no URL: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Miss%C3%A3o_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas_para_a_estabiliza%C3%A7%C3%A3o_no_Haiti>
    1º – Augusto Heleno Ribeiro Pereira, General de Divisão do Brasil: de 2004 até 31 de agosto de 2005.
    2º – Urano Teixeira da Matta Bacellar, General do Brasil: de 01 de setembro de 2005 até 07 de janeiro de 2006 (suicidou-se e foi encontrado morto em seus aposentos).
    3º – Eduardo Aldunate Herman, General do Chile: de 07 a 18 de janeiro de 2006 (interinamente).
    4º – José Elito Carvalho Siqueira, General do Brasil: de 18 de janeiro de 2006 até 10 de janeiro de 2007.
    5º – Carlos Alberto dos Santos Cruz, General de Brigada do Brasil: de 11 de janeiro de 2007 até abril de 2009.
    6º – Floriano Peixoto Vieira Neto, Brasil: de abril de 2009 até abril de 2010.
    7º – Luiz Guilherme Paul Cruz, Brasil: de abril de 2010 até março de 2011.
    8º – Luiz Eduardo Ramos Batista Pereira, Brasil: de março de 2011 até março de 2012.
    9º – Fernando Rodrigues Goulart, Brasil: de março de 2012 até março de 2013.
    10º – Edson Leal Pujol, Brasil: de março de 2013 a março de 2014.
    11º – José Luiz Jaborandy Junior, Brasil: de março de 2014 a agosto de 2015 (morreu de mal súbito a bordo de um voo comercial que ia de Miami a Manaus, em setembro de 2015, quando estava no comando da missão).
    12º – Jorge Peña Leiva, Chile: de setembro a outubro de 2015 (interinamente).
    13º – Ajax Porto Pinheiro, Brasil: de outubro de 2015 até o presente momento. 
  5. CHARLEAUX, João Paulo. Qual o balanço da missão de paz brasileira no Haiti. Nexo: publicado em 25 de abril de 2017, no URL: <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/04/25/Qual-o-balan%C3%A7o-da-miss%C3%A3o-de-paz-brasileira-no-Haiti
  6. COUTINHO, Faimon. Imigração do Haiti para o Brasil. Blog do Faimon: publicado em 02 de março de 2012, no URL: <https://faimon.wordpress.com/2012/03/02/imigrao-do-haiti-para-o-brasil/> Trecho relevante: “Se tornou conhecido também a dificuldade que estes imigrantes têm para chegar ao Brasil, através de rotas clandestinas, e aproveitando que o Equador e o Peru não exigem visto dos haitianos, e que os intermediadores, conhecidos como ‘coiotes’ os trazem em condições sub-humanas e muitas vezes os submetendo a extorsões realizadas por agentes de fiscalização boliviana ou peruana. Seria de muito mal tom, se o Brasil, que tanto tem demonstrado solidariedade com o povo do Haiti, deportasse estes imigrantes para seu país de origem após tanto sofrimento lá e na rota, além das péssimas condições que têm estes encontrado aqui no Brasil, especialmente na cidade ‘porta de entrada’ Brasiléia no Acre” 
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s